Poemas alheios
No capítulo XVI do "Tarjuman al-Ashwaq",
do Shaykh al-Akbar [Grande Mestre]
Ibn al-Arabi
Ibn al-Arabi
a partir da versão em inglês
de R. A. Nicholson
As donzelas, resplandecentes como
o mármore da lua
se ajeitaram nas selas do camelo.
Prometeram ao meu coração:
— voltaremos!
Mas que fazem
senão iludir?
E lançaram adeus
com dedos tatuados de hena,
e verteram lágrimas
que atiçam o desejo.
E quando ela se volta, para tomar o rumo
de al-Khawarnaq e al-Sadír,
vou atrás dela e grito:
Perdição!
Perdição!
Ela torna e responde:
— evocas tu perdição? Então evoca não uma, mas muitas vezes.
— evocas tu perdição? Então evoca não uma, mas muitas vezes.
Ó, pomba dos bosques, tem piedade de mim!, que a partida apenas
aumenta teus gemidos e lamentos.
Ó, pomba, inflama o amante, excita o ciúme,
derrete o coração, afugenta o sono e multiplica desejos e suspiros.
O lamento da pomba atraiu a Morte, e pedimos à Indesejada que nos poupasse mais um pouco,
pois, — quem sabe? — o zéfiro de Ḥájir nos sopre nuvens de chuva
para saciar almas sedentas; mas as nuvens tuas apenas para longe fogem.
Ó, observador das estrelas, sê meu companheiro!, e tu, perseguidor dos raios, sê meu camarada!
Tu que dormes foste ao túmulo antes da hora.
Se, ao invés do sono, buscasses o amor da donzela,
através dela encontrarias alegria e felicidade
e, apaixonado,
conversarias em segredo
com o sol e a lua cheia.


