domingo, 8 de março de 2026

Lágrimas que atiçam o desejo


 Poemas alheios

No capítulo XVI do "Tarjuman al-Ashwaq",
do Shaykh al-Akbar [Grande Mestre]
Ibn al-Arabi
a partir da versão em inglês 
de R. A. Nicholson

As donzelas, resplandecentes como 
o mármore da lua
se ajeitaram nas selas do camelo.

Prometeram ao meu coração:
— voltaremos!

Mas que fazem
senão iludir?

E lançaram adeus
com dedos tatuados de hena,
e verteram lágrimas
que atiçam o desejo.

E quando ela se volta, para tomar o rumo
de al-Khawarnaq e al-Sadír,
vou atrás dela e grito:

Perdição!

Ela torna e responde:
evocas tu perdição? Então evoca não uma, mas muitas vezes.

Ó, pomba dos bosques, tem piedade de mim!, que a partida apenas
aumenta teus gemidos e lamentos. 

Ó, pomba, inflama o amante, excita o ciúme,
derrete o coração, afugenta o sono e multiplica desejos e suspiros.

O lamento da pomba atraiu a Morte, e pedimos à Indesejada que nos poupasse mais um pouco,
pois, — quem sabe? — o zéfiro de Ḥájir nos sopre nuvens de chuva
para saciar almas sedentas; mas as nuvens tuas apenas para longe fogem.

Ó, observador das estrelas, sê meu companheiro!, e tu, perseguidor dos raios, sê meu camarada!

Tu que dormes foste ao túmulo antes da hora.

Se, ao invés do sono, buscasses o amor da donzela,
através dela encontrarias alegria e felicidade

e, apaixonado, 
conversarias em segredo
com o sol e a lua cheia.