sábado, 30 de janeiro de 2016

Solve et coagula


para a j.m.

Se a vida é líquida, como disse a
Hilda Hilst?

Bem,

desemprego, dores e lutos
falência e miséria
ressacas e doenças

descem sólidos

rasgando

como um parto
     ao
          contrário.

E sólidos engolimos

para digerir

         um dia

         talvez?

Bem,

é sólida, a

     mágoa

mas para ela há

-quem sabe?-

     o solvente

          da

              poesia.




terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Lembranças fugidias como um cheiro no vento


Humores mudam
às vezes por pouco.

Estamos
pensando em algo
sentindo algo

mas basta um
          detalhe

para que tudo
          mude.

Andando pelas ruas
lembranças surgem
de uma forma
         casual

e somos jogados
de uma emoção
a
outra.

Por exemplo:
um cheiro no vento
ou um perfume

ou, agora
o olhar da moça transeunte

e já não estamos mais aqui

-onde?

lembranças fugidias
como
um cheiro no vento
ou um perfume.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

De medo da morte


Certo dia, ao
sair
     do banho

não sei, o vento de fora
     talvez
ou algum pensamento
     mais sombrio

arrepiou meu corpo e me deu
     uma sensação
          de morte

e tive
     medo

ao imaginar
como seria
o sentir
da ruptura do
fio de prata

e o ser arrebatado
     -pra onde?-

e todas aquelas coisas que nós
          mortais
sabedores de serem
          mortais
teimamos ainda
              em temer.