quarta-feira, 5 de abril de 2017
Sobre a tela branca do papel
Poesia como pintura:
não tintas
e pinceis
mas dispostos sobre
a tela branca
do papel
palavras e versos.
O desafio, aqui
é impedir que a pena caprichosa
se perca em devaneios
e crie outra realidade
que não aquela
do modelo.
O desafio, aqui
é ver o inspirador ainda
em cenas
rudes
do cotidiano.
Com isso em mente,
teremos um poema
de cores vicejantes
versos frescos como tinta
sobre lírica moldura.
sábado, 25 de março de 2017
Companhia para a vida toda
Não tenho amigos.
Digo
até os tenho
mas à distância.
O destino nos separou a todos.
Alguns, anos depois
mal reconheci.
Melhor deixá-los para trás
uma doce lembrança
de tempos antigos.
Não me incomoda isso,
de ter poucos amigos.
"Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser",
disse Alberto Caeiro.
Eu, também, sem ser amado
ou sem sê-lo como gostaria
sozinho, eu e eu
quando vou ao bar é melhor.
Sem amigos e toda a
tagarelice
posso, em sossego,
sacar a caneta
e escrever poesia
porque, diabos
a poesia
já em si
é companhia
para a vida toda.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Digamos que eu fosse o escultor de meus sonhos
Digamos
que eu fosse
o escultor de meus sonhos.
Quero dizer,
ao dormir
me entregariam a chave e carta branca
para dispor
os oníricos elementos
a bel-prazer.
Gostaria de um bosque, por exemplo
com fontes e sombras bucólicas.
Mora ali uma fada-
quem sabe?
Acrescentaria um lago
casa de lenhador
e, porque haveria reviravoltas no sonho
corceis, trovões, cometas cadentes
num cenário apocalíptico de batalha.
Acrescentaria a Hidra
e o Leão de Neméia.
Você, não acrescentaria.
Sonho, eu disse
não pesadelo.
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