quinta-feira, 19 de julho de 2018

Ela que brilha como o sol quando sorri


Poemas alheios

Capítulo III do "Tarjuman al-Ashwaq",
do Shaykh al-Akbar [Grande Mestre]
Ibn al-Arabi
a partir da versão em inglês 
de R. A. Nicholson

Vós, razão e fé, meus dois
          únicos
amigos

passai por al-Kathib
tornai por La'la
e, então
buscai
          pelas águas de Yalamlam.

Pois lá, vós o sabeis,
estão aqueles
a quem pertencem
          o meu jejum
          a minha peregrinação
          meus lugares sagrados
          e dias santos.

Seu lugar de meditação
-não permitais que eu esqueça!-
          é meu coração

seu lugar de sacrifício
          minha alma

e meu sangue
         seu manancial.

Ó condutor de camelos
caso peregrinares
faze assim:

- para teus animais um pouco
e saúda, naquelas tendas vermelhas no pasto,
aqueles que, distraídos,
anseiam por ti.

Caso respondam tua saudação
permite que o vento oriental devolva tua paz [as-salam] a eles;
caso silenciem, contudo
segue com teus camelos

para o rio de Jesus
onde as montarias repousam
e as tendas brancas se espraiam.

Lá, então,
chamai por quem responda
se lá, em al-Halba
estará ela
ela
a que brilha como o sol quando sorri.



sexta-feira, 29 de junho de 2018

Na magia do cotidiano


Cartas diante de mim
ao oráculo
no silêncio da manhã
perguntei:

     -verei um dia
          meu filho
               Glauco?

A carta que veio
     foi "O Mago".

Há uma dupla resposta aqui,
pensei.

E passei o dia a refletir
no significado:

               se
               ser mago pra vê-lo

              ou se vê-lo
              aqui, presente
              na magia do cotidiano.



domingo, 24 de junho de 2018

Sobretudo notas de piano


Do cálice dourado
da Rainha de Copas
sorvo:

          melífluo
          de tons rascantes

o sabor de beijos

         clandestinos.

Em turbantes
os convivas do banquete
rodopiavam
em confusão de panos.

Havia cítara
flauta e oboé
mas sobretudo
notas de piano

          solenes

         como ela
         quando enraivece.