domingo, 7 de maio de 2017

A primavera que desperta



Poemas alheios


Meng Hao-ran (689 [?]-740),
a partir da versão em inglês
constante em 
por François Cheng

Sonolentos não notamos
a primavera que desperta.
Pássaros cantam em toda parte-
mas, à noite, cantavam vento e chuva.
Quantas pétalas caíram?




quarta-feira, 5 de abril de 2017

Sobre a tela branca do papel


Poesia como pintura:

não tintas
e pinceis

mas dispostos sobre

          a tela branca
               do papel

palavras e versos.

O desafio, aqui

é impedir que a pena caprichosa
se perca em devaneios

e crie outra realidade
que não aquela
do modelo.

O desafio, aqui

é ver o inspirador ainda
em cenas
rudes
do cotidiano.

Com isso em mente,
teremos um poema

     de cores vicejantes

versos frescos como tinta

                   sobre lírica moldura.




sábado, 25 de março de 2017

Companhia para a vida toda


Não tenho amigos.

Digo
até os tenho
     mas à distância.

O destino nos separou a todos.

Alguns, anos depois
mal reconheci.

Melhor deixá-los para trás
uma doce lembrança
de tempos antigos.

Não me incomoda isso,
de ter poucos amigos.

          "Não fui amado pela única grande razão —
          Porque não tinha que ser",

disse Alberto Caeiro.

Eu, também, sem ser amado
ou sem sê-lo como gostaria
sozinho, eu e eu
quando vou ao bar é melhor.

Sem amigos e toda a
tagarelice
posso, em sossego,
sacar a caneta
e escrever poesia
porque, diabos

a poesia
já em si
          é companhia
                para a vida toda.